Ranges de poker: o guia completo dos ranges pré-flop (com tabelas)
Para de jogar a tua mão: joga o teu range. O que são os ranges, como se constroem, como ler uma tabela, o que significa linear e polarizado, e como memorizá-los sem decorar.
Lou · · 4 min
A diferença mais nítida entre um jogador parado e um jogador que evolui cabe numa palavra: ranges. O primeiro joga A SUA mão. O segundo joga leques inteiros de mãos — o dele e o do adversário. Este guia põe o conceito a nu: o que é um range, como se constrói pré-flop, como se lê uma tabela e como os fixar de uma vez por todas.
O que é um range no poker?
Um range é o conjunto completo de mãos que um jogador pode ter numa dada situação. Quando abres do botão não abres “uma mão”: abres todas as mãos com que farias esse movimento, e o teu adversário raciocina contra esse conjunto inteiro. O poker moderno joga-se range contra range: as tuas cartas concretas são apenas um sorteio dentro do teu leque.
É uma troca de software mental: em vez de “tenho ás-dama, o que faço?”, a verdadeira pergunta passa a ser “que parte do meu range abre aqui, e o ás-dama faz parte dela?”. A segunda pergunta tem resposta calculável. A primeira leva à adivinhação.
Como se constrói um range pré-flop
Três fatores moldam o teu range antes do flop, por ordem de importância:
- A posição: quanto mais tarde falas, mais largo abres — UTG abre cerca de 15 % das mãos, o botão mais de 40 %.
- A profundidade de stack: com 100 blinds as mãos especulativas (pares pequenos, suited connectors) ganham valor; com 20 blinds mandam as cartas altas e o push or fold assume o comando.
- A ação antes de ti: abrir é um range, pagar um open é outro, fazer 3-bet um terceiro — cada um mais fechado que o anterior.
Como ler uma tabela de ranges (a grelha 13×13)
Uma tabela de ranges é uma grelha de 169 células: os pares na diagonal, as mãos suited acima, as offsuit abaixo. Cada célula é colorida consoante a ação — abrir, pagar, 3-bet, fold — às vezes com frequências mistas (“AJo: 3-bet 50 %, call 50 %”). Um open típico do botão a 25 blinds inclui: todos os pares, todos os ases, a maioria dos broadways, muitos suited connectors. Se parece largo, é porque deve ser: em posição quase tudo se joga bem.
Linear, polarizado, capped: as três formas de um range
- Linear: as melhores mãos sem buracos — a forma clássica de um range de abertura ou de uma 3-bet de valor.
- Polarizado: mãos muito fortes mais bluffs, nada no meio — típico de uma 3-bet leve ou de uma grande aposta no river.
- Capped: um range SEM os seus monstros (acabaste de pagar pré-flop — os teus AA/KK teriam feito 3-bet). É esse o range que se ataca.
Reconhecer a forma do range adversário é saber quando atacar: um range capped num board perigoso é um convite aberto.
Como memorizar os ranges (sem decorar)
Ninguém fixa 169 células por posição a recitá-las. O que funciona: perceber a lógica (porque é que aquela mão entra e a vizinha não) e depois treinar. Jogas mãos, respondes, és corrigido, e a grelha grava-se pela repetição — exatamente como o vocabulário de uma língua. É o duo Ranger + Trainer do PokGenius: o Ranger para consultares os ranges calculados por solver por posição e profundidade, o Trainer para os jogares até serem reflexos. Duas semanas de treino valem mais do que dois anos de “acho que isto se abre”.
Os erros de ranges mais comuns
- Jogar o mesmo range de todas as posições — o erro número um, e o mais caro.
- Copiar uma tabela sem a perceber: no primeiro spot invulgar, cai tudo.
- Esquecer que o adversário também tem um range: a tua mão nunca joga contra “uma mão”, joga contra um leque.
- Nunca fazer 3-bet de bluff: o teu range de 3-bet torna-se um cartaz a dizer “tenho ases”.
Transforma a teoria em reflexos
Ranges de solver, spots de ICM, correção instantânea. Treina 20 minutos por dia com mãos reais.